Tradição une produção de laticínios e turismo rural em Serranópolis de Minas

Atividades são marcadas por memória afetiva e inovação

Jan 29, 2026 - 10:08
Tradição une produção de laticínios e turismo rural em Serranópolis de Minas
Memória afetiva, apoio familiar e dedicação são os principais ingredientes do requeijão moreno fabricado no município (foto: Carlos Alessandro Lucas)

Serranópolis de Minas (MG) - Memória afetiva, apoio familiar e dedicação são os principais ingredientes do requeijão moreno fabricado no município de Serranópolis de Minas. 

No Sítio Vó Luzia, Carlos Alessandro Lucas e a esposa produzem de forma artesanal cerca de 50 quilos da iguaria semanalmente.

A atividade é uma tradição passada entre gerações. “Meu avô era produtor de leite e para aproveitar o que sobrava e ganhar uma renda extra, minha avó produzia requeijão moreno para vender na cidade”, conta o produtor. 

Após o falecimento da matriarca, ninguém deu continuidade à produção. Em 2019, a alta produção de leite e a saudade de sentir o gosto da iguaria motivaram Carlos a iniciar a fabricação.

Segundo ele, várias tentativas foram realizadas. “Com a lembrança de vê-la produzindo,  a orientação do meu pai e de outros familiares consegui chegar ao ponto”, conta.

Para ter a produção regularizada, Carlos procurou o auxílio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). 

Orientações sobre boas práticas de fabricação de requeijão moreno e regularização de agroindústria,  assistência técnica sobre bovinocultura leiteira estão entre os trabalhos realizados pelo extensionista Gentil Dias Neto. 

Além do requeijão, a família  produz doce de leite e manteiga de requeijão e se dedicam à produção de café.

A comercialização dos produtos é realizada em Belo Horizonte e no sítio. A qualidade do produto já rendeu medalhas em vários concursos. 

Sucessão familiar
Carlos relata que o sítio Vó Luiza está na família há 80 anos e a atividade rural sempre foi sua paixão.

“Aprendi com meu avô, meu pai e nunca pensei em ir para a cidade. Para mim é um privilégio continuar o trabalho dos meus avós e espero que meus filhos sejam os próximos sucessores”, relata. 

Turismo
A ideia de abrir as porteiras para o turismo surgiu em 2020 de forma inesperada e com uma proposta de inovação.

“Meu amigo deu a ideia para que convidássemos um pequeno grupo de amigos para um café com requeijão.  As pessoas gostaram e fizeram  a propaganda boca a boca”, conta o produtor.

Aos poucos a atividade ajudou a família a superar um dos maiores desafios que já enfrentaram durante a trajetória: a falta de recurso financeiro. 

Para conhecer a história do sítio, andar a cavalo, apreciar o  café, o requeijão, as quitandas e as frutas da região é necessário realizar agendamento. 

Segundo o extensionista, o sucesso da família está na boa receptividade e no espírito empreendedor. Gentil destaca que a atividade de turismo não é uma tradição no município, mas está dando os primeiros passos.

“Tem muito potencial , principalmente pelas belezas da Cordilheira do Espinhaço, sendo uma ótima opção para gerar emprego e renda para os produtores”, avalia.

A Emater-MG tem auxiliado na divulgação do empreendimento por meio do projeto estratégico Ruralidade Viva. 

 

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