Método de plantio do cacau projeta Norte de Minas no mercado mundial

Pesquisas desenvolvem e aprimoram técnica de plantio a pleno sol

Nov 3, 2025 - 18:12
Método de plantio do cacau projeta Norte de Minas no mercado mundial
Pesquisas apoiadas pelo Governo do Estado impulsionam cultivo e trazem perspectiva de crescimento da produção nos próximos anos 

O Norte de Minas, tradicionalmente conhecido pelo clima seco, altas temperaturas e baixa pluviosidade, está se consolidando como um promissor polo produtor de cacau.

Esse avanço é impulsionado por pesquisas inovadoras da Universidade Estadual de Minas Gerais (Unimontes), que contam com o apoio do Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

O grande diferencial é a utilização da técnica de plantio à pleno sol, adaptada e consorciada com as tradicionais lavouras de banana que já possuem sistema de irrigação. Este modelo contrasta com o cultivo tradicional do cacau ("na cabruca"), feito sob a sombra da Mata Atlântica.

O engenheiro agrônomo e especialista em fitotecnia da Unimontes, Victor Martins Maia, líder das pesquisas, estima que Minas Gerais possua atualmente 480 hectares de cacau. A expectativa, porém, é ambiciosa: a área plantada pode saltar para três mil hectares até 2026.

“A indústria mundial busca locais que tenham estabilidade e capacidade de fornecer cacau para a indústria. Não por coincidência, o Brasil tem a possibilidade de crescer com produtividade e tecnologia e atender a demanda mundial”, afirma Victor Maia.

Consórcio vantajoso e tecnologia
A estratégia de consorciar o cacau com a banana traz benefícios econômicos ao produtor, que mantém uma fonte de renda enquanto aguarda o cacau, de ciclo mais longo, começar a produzir.

O pesquisador coordena o Centro Tecnológico para Cacauicultura em Regiões Não Tradicionais (CTCRNT), que já recebeu cerca de R$ 3,5 milhões da Fapemig.

O centro estuda desde o consumo de água irrigada e tipos de mudas até a aplicação de visão computacional para predição da produção.

Além de consolidar o cacau como commodity, um projeto em andamento com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) estuda a fermentação do cacau local para a produção de chocolate.

O objetivo é criar um "terroir do Sertão", um cacau com características únicas e específicas da região, fortalecendo a projeção de Minas no mercado global.

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